Nova descoberta do RV Petrel guarda história de força e perseverança na Segunda Guerra
Por: Marcella Duarte | Divemag.com
O USS Helena (CL-50) foi encontrado a 860 metros de profundidade, repousando no Estreito de Nova Geórgia, fora da costa das Ilhas Salomão, no Pacífico Sul. A equipe do navio de pesquisas RV Petrel acaba de anunciar a descoberta, que aconteceu no dia 24/3. O naufrágio guarda uma história única, que começou em Pearl Harbor e culminou em um resgate heroico e dramático. Os destroços estão em ótimo estado de conservação, abrigando bastante vida.

“Realizamos estas expedições como um testamento das corajosas almas que serviram estes navios. Cada um deles tem uma história que toca familiares e amigos daqueles que morreram ou sobreviveram. É gratificante escutar estas histórias a cada vez que anunciamos uma nova descoberta”, disse Robert Kraft, diretor de operações subaquáticas do Petrel.
Veja o vídeo da exploração:
O USS Helena (CL-50) é um cruzador rápido da classe St. Louis, da frota norte-americana na Segunda Guerra. Danificado por um torpedo no ataque a Pearl Harbor, foi reparado e esteve no centro de pelo menos três das mais importantes batalhas da Guerra do Pacífico: a de Guadacanal (na qual afundou o USS Juneau, outro navio encontrado pela expedição do Petrel), a do Cabo Esperança e a de Kula Gulf – onde encontrou seu destino no fundo do mar.


Com enorme poder de fogo, o USS Helena disparava intensamente contra 10 destróiers japoneses na costa de Nova Geórgia, na escuridão da madrugada do dia 6 de julho de 1943. Ironicamente, se tornou um alvo perfeito quando iluminado pelos flashes de suas próprias armas – todo a munição “sem brilho” havia sido utilizada nos bombardeios anteriores, restando apenas a pólvora sem fumaça padrão, que produzia imensas chamas quando disparada.

Após alguns minutos de batalha, o Helena foi atingido a bombordo pelo primeiro torpedo japonês (tipo 93, chamado de “Long Lance”), que arrancou sua proa. Logo depois, recebeu mais dois torpedos, causando explosões e danos catastróficos a meio navio, bombordo. Ele então se retorceu ao redor da área danificada, ultrapassou a própria proa e começou a inundar. A parte central inclinou a 45 graus e começou a afundar, bombordo primeiro, arrastando a parte traseira até a popa ficar na vertical. O Helena afundou cerca de 22 minutos após o primeiro impacto.
Foi um dos 3 únicos cruzadores rápidos norte-americanos afundados durante a Segunda Guerra. Dos 900 tripulantes a bordo, 732 sobreviveram, com a ajuda de embarcações próximas, observadores da costa e nativos. Uma história incrível, de resistência dos marinheiros, nas horas e dias que sucederam o naufrágio. Alguns foram resgatados antes de amanhecer, outros demoraram 11 dias para serem salvos.

Quando a proa do Helena se ergueu no ar após o afundamento, muitos dos sobreviventes se reuniram ao redor dela – recebidos por fogo inimigo. Dois destróiers norte-americanos, o USS Nicholas (DD-449) e o USS Radford (DD-446) foram enviados para o resgate e recolheram boa parte dos náufragos. Mas o dia nasceu e os japoneses continuavam na linha de fogo. As duas embarcações, então, suspenderam as operações de resgate para persegui-los. Os cerca de 275 homens restantes na água acabaram se acumulando em dois grupos.
O primeiro, com 88 tripulantes, foi auxiliado por voluntários e pequenos barcos deixados no local pelos destróiers. Liderados pelo comandante do Helena, capitão Cecil, se organizaram em balsas salva-vidas que foram rebocadas por três baleeiras até uma pequena ilha, a cerca de 11 quilômetros. Foram resgatados na manhã seguinte pelo USS Owin (DD-433) e o USS Woodworth (DD -460).

O segundo e maior grupo, com cerca de 200 pessoas, permaneceu agarrado à proa do Helena, que afundava lentamente. Quando as coisas pareciam sombrias, um avião liberador da marinha largou coletes salva-vidas e quatro botes de borracha. Os feridos foram colocados a bordo, enquanto os fisicamente capazes se agarraram aos barcos tentando propeli-los em direção a uma ilha próxima. Vento e correnteza, no entanto, os levaram cada vez mais para longe da costa, em direção a águas inimigas. Os aviões de busca norte-americanos que chegavam à área não conseguiam localizar a frota à deriva, e os feridos começaram a perecer diante das circunstâncias adversas. Mais uma noite se passou e, de manhã, a ilha de Vella Lavella estava sob alcance, onde os sobreviventes puderam desembarcar com segurança.
Dois observadores da costa e nativos locais cuidaram deles da melhor maneira possível e transmitiram notícias para Guadalcanal. Os marinheiros entraram na selva para escapar das patrulhas japonesas. Enquanto isso, o USS Nicholas e o USS Radford, com auxílio do USS Jenkins (DD-447) e do USS O’Bannon (DD-450), partiram para águas mais distantes em busca dos sobreviventes. Na noite de 16 de julho, 165 homens do Helena foram resgatados na ilha, juntamente com 16 chineses que estavam escondidos lá.
Leia as impressionantes histórias de sobreviventes neste site criado por um tripulante do USS Helena.


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