Bonecas, pedaços de sanitários, móveis, barcos, colchões, mesas, árvores de Natal, roupas, pneus, tijolos, tapetes e até um carro inteiro. E plástico, muito plástico. As imagens obtidas por um robo de exploração submarina revelaram um verdadeiro aterro subaquático onde se pode encontrar quase todo o tipo de lixo, em pleno Mar Mediterrâneo.
E as consequências ambientais são imprevisíveis, porém garantidas.“Parece uma sequência de um filme pós-apocalíptico, mas na realidade é o fundo do Mediterrâneo”, escreve o “El País” num artigo desta terça-feira, 21 de maio. Numa extensa reportagem, o jornal espanhol cita um estudo do Conselho Nacional de Pesquisa da Itália (CNR) e da Universidade de Roma La Sapienza, que foi disponibilizado nos “Scientific Reports” da plataforma “Nature” no final do mês de março.
De acordo com o “El País“, uma equipa de investigadores encontrou em Itália a maior concentração de lixo já registado em águas profundas em qualquer lugar no mundo. O depósito está no Estreito de Messina, que separa a ilha da Sicília da região da Calábria e a concentração de resíduos é “surpreendente”.O robot submersível POLLUX III foi registando em imagens o que encontrava e percebeu-se que, quanto maior a profundidade, mais desperdício havia.
E a situação é mais preocupante porque ele tinha um limite de descida até aos 600 metros, suspeitando os cientistas de que se tivesse ido mais fundo teria encontrado mais lixo.Quanto aos resíduos encontrados, o maior foi o plástico, seguido de material de construção, vestuário e metal.
Os cientistas relatam que viram ouriços-do-mar e os peixes a usar o lixo como refúgio e alertam para um tipo de contaminação pouco estudada.
A equipa vai agora analisar o impacto que estes desperdícios podem ter sobre a vida selvagem. “O plástico pode durar até 500 anos no mar e é uma fonte de poluentes orgânicos persistentes que são tóxicos para a fauna marinha e que podem acumular-se nos seus tecidos”, explicam.Quanto às causas, a má gestão de resíduos na Sicília e na Calábria pode explicar grande parte do problema, mas o Mediterrâneo é também conhecido como um mar predisposto a acumular resíduos, por criar uma bacia quase fechada.
E por ter grandes cidades à volta e uma troca limitada de águas.Em 2017, a Organização Não Governamental WWF já tinha publicado um relatório alarmante sobre o aumento da poluição no Mar Mediterrâneo devido ao turismo em massa e à exploração dos recursos marinhos.
A WWF explicou então que as espécies marinhas viram as suas populações diminuírem, com 41 por cento menos mamíferos marinhos e 34 por cento menos peixes do que há 50 anos. Em termos de flora, as ervas marinhas sofreram 34 por cento de degradação no mesmo período de tempo e os corais estão ameaçados de extinção.

More
♻️ Recycling Space Debris Could Be the Key to Keeping Earth’s Orbit Safe
Juice Probe Captures Images of Active Interstellar Comet 3I/ATLAS, Suggesting Possible Double Tail
Largest Collection of Fossilized Carnivorous Dinosaur Tracks Ever Found Surprises Scientists in Bolivia