Mergulhador tailandês morre durante operação de resgate dos garotos

Fatalidade coloca em dúvida o plano de resgate subaquático; níveis de oxigênio decaindo no sistema também levantam preocupações

Um ex-Navy Seal tailandês morreu durante os procedimentos para resgate dos garotos presos há 12 dias no sistema de cavernas Tham Luang, no norte de Tailândia. O acidente ocorreu por volta de 1h da madrugada desta sexta-feira, 6/7, no horário local – ou seja, há cerca de 9 horas – e acaba de ser divulgado pelas autoridades.

Apesar de aposentado da corporação, Saman Junan, de 38 anos, se voluntariou para ajudar as equipes de resgate. Um vídeo mostra o momento em que ele aguardava em Bangkok para ser levado à província onde fica o sistema de cavernas Tham Luang. “Estou no aeroporto Suvanahabhumi, esperando para entrar no avião que me juntará à missão em Chiang Rai”, disse. “Estou acompanhado por médicos da Marinha e mergulhadores internacionais que também estão doando muitos equipamentos. Vejo vocês esta tarde. Nós traremos estas crianças de volta pra casa”.

Mergulhador experiente, o ex-oficial estaria fixando cilindros de ar pelas passagens alagadas da caverna, como parte dos esforços para uma possível extração do grupo nos próximos dias. Ironicamente, ficou sem ar em seu trajeto de volta para o centro de comando (na “câmara 3”, cerca de 2km dentro do sistema, onde funciona a logística da operação), perdeu consciência e não conseguiu ser reanimado pelos colegas.

Junan trabalhava no aeroporto de Bangkok e era um ávido esportista, corredor de maratonas e triatlos. Seu corpo já foi enviado para sua cidade-natal, Roi Et, onde será cremado seguindo a tradição budista. O rei Vajiralongkorn patrocinará os rituais, incluindo um funeral com honras militares.

Um monge budista conduz o caixão de Saman Kunan ao aeroporto da província de Chiang Rai
Cortejo militar saúda o transporte do corpo para Roi Et, no leste do país, a bordo de um avião C-120

Não se sabe se o acidente afetará de alguma maneira a operação de resgate dos 12 garotos e seu treinador, já que a morte de um Navy Seal levanta questões sobre a segurança em se retirar o grupo do local mergulhando – que parecia ser a principal opção até agora. “Foi um grande choque para todos, mas nossa determinação não mudou. Tampouco a nossa esperança”, declarou o comandante das operações, Narongsak Osatanakorn. A dificuldade do mergulho é altíssima: águas lamacentas sem visibilidade, fortes correntes, passagens muito estreitas que demandam no-mount.

Pouco oxigênio

Preocupações agora se voltam para a diminuição do oxigênio no sistema; o governo tailandês declarou que o ar pode estar viciado devido ao grande número de pessoas trabalhando nos túneis. Na câmara onde o grupo está abrigado, a situação é ainda mais preocupante: o nível de oxigênio teria baixado para 15% (o normal é 21%). Mergulhadores já teriam liberado 30 cilindros de oxigênio lá dentro na tentativa de restaurar níveis seguros, e hoje os militares tentarão levar um cabo de 5km de comprimento até a caverna, para fornecer ar puro.

“Inicialmente, achamos que poderíamos sustentar a vida dos garotos por um longo tempo onde eles estão, mas a perspectiva está mudando. Temos um tempo limitado”, disse Osatanakorn. A hipótese de deixar o grupo no local até o final da temporada de chuvas – que pode durar até quatro meses – está sendo descartada e um resgate de urgência é previsto para os próximos dias.

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