O arquipélago dos Alcatrazes localizado a 45 km do porto de São Sebastião, no litoral norte de São Paulo, será aberto ao turismo náutico neste domingo (16).
Um dos maiores ninhais de aves marinhas do Sul e Sudeste brasileiro, o arquipélago foi desde a década de 1980 até 2013 local de exercício de tiros da Marinha e estava fechado para visitação.

É a primeira vez que o turismo na região será feito de forma organizada. A descida em terra continuará proibida. Os turistas poderão ver a ilha do barco ou fazer mergulho livre e autônomo em mais de dez pontos da região.
O passeio até o arquipélago poderá ser feito apenas por meio de empresas autorizadas pelo ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), órgão que, junto com a Marinha, faz a gestão da área. Lanchas particulares continuam proibidas de parar no local.
Há 32 operadoras cadastradas pelo órgão, mas apenas duas vão começar a fazer o passeio neste domingo: Universo Marinho, com saídas de São Sebastião, e a Colonial Diver, de Ilhabela. Os valores cobrados pela saída de mergulho giram em torno de R$ 700, com direito a dois cilindros.

Em janeiro, mais três devem iniciar as operações e, até março, mais cinco. Nessa etapa, haverá também barcos partindo de Bertioga e Santos —a lista de empresas autorizadas será disponibilizada no site icmbio.gov.br/refugiodealcatrazes.
Durante um ano e meio, pesquisadores vão analisar os impactos do turismo na preservação dos corais e no comportamento dos peixes. Depois disso, será avaliada a necessidade de fazer mudanças na visitação.
O refúgio abriga mais de 1.300 espécies, 100 delas estão ameaçadas de extinção. Lá encontra-se o maior ninhal de fragatas do Atlântico Sul e é área de alimentação, reprodução e descanso para mais de 10.000 aves marinhas.

Nas águas de Alcatrazes também há a maior quantidade de peixes do Sudeste do Brasil. Durante o ano inteiro, podem ser avistadas baleias-de-bryde e diversas espécies de golfinho. Já as baleias-jubarte aparecem por ali no outono e no inverno.
Em 2016, foi criado o Refúgio de Vida Silvestre do Arquipélago de Alcatrazes, que transformou a área de 674 km² em unidade de conservação.
O nome Alcatrazes vem de como eram chamadas espécies de gaivotas marinhas. Uma das hipóteses é que o batismo veio do viajante alemão Hans Staden, que passou dez meses como prisioneiro dos índios Tubinambás, no século 16. Na ocasião, ele navegou por ilhas do litoral paulista.

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