Programa solta milhares de garoupas no litoral paulista

garoupa (Epinephelus marginatus) é um peixe muito apreciado, principalmente, nas regiões Sul e Sudeste do Brasil. Entre seus principais atrativos estão seu sabor, possuir escamas pequenas e ser um animal grande: pode atingir até 50 kg, ou seja, é muito rentável para os pescadores.

Todavia, além de ter sido muito pescada ao longo das últimas décadas, a garoupa tem outra particularidade (curiosa) que a torna mais vulnerável à extinção. Todos os indivíduos da espécie nascem fêmeas e, com cerca de 15 anos, alguns passam a ser do sexo masculino.

De acordo com o levantamento realizado em 2016, pela Lista Vermelha das Espécies Ameaçadas, da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês), que avalia as condições de sobrevivência de centenas de animais e plantas no planeta, a garoupa é considerada “vulnerável”, ou seja, corre o risco de desaparecer na natureza.

Para evitar que isso aconteça, a Associação Ambientalista TerraViva (Atevi) tem realizado a soltura de garoupas, criadas em cativeiro, no litoral paulista.

“Temos o cuidado de fazer o programa de repovoamento com animais iguais aos que estão na natureza. Pegamos todo o plantel de garoupas selvagens, fazemos o perfil genético e escolhemos todos os acasalamentos para obter um nível de parentesco muito baixo e o mais próximo possível da população que nós temos aqui na região”, explica Claudia Kerber, responsável técnica do projeto.

Esta semana, aconteceu a quinta ação do projeto. Foram soltas 2 mil garoupas na praia da Ilha das Cabras, na região sul de Ilhabela (SP), um santuário municipal onde a pesca não é permitida.

Garoupa na Laje de Santos

Até agora, a iniciativa inédita no Brasil, segundo a Atevi, já introduziu 10 mil alevinos ao longo da costa paulista. A previsão da associação é de que, em 2020, mais 10 mil sejam soltos em habitat natural, totalizando 20 mil indivíduos reintroduzidos.

A duração do projeto, que tem o apoio da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, deve ser de dois anos. Além da soltura, é feito um monitoramento na população da espécie a cada 60 dias.

Projeto pretende realizar a soltura de cerca de 20 mil garoupas 
no litoral paulista

A Atevi afirma ainda que os dados coletados serão muito importantes para embasar políticas públicas para a formulação de programas de repovoamento em outros locais da costa brasileira, onde as garoupas já desapareceram.

“Assim como os tubarões e os meros, as garoupas são topo de cadeia na região que habitam e são muito importantes para manter o resto da cadeia equilibrada. Sem a sua presença, outros animais marinhos podem se reproduzir em larga escala, desequilibrando o ecossistema”, ressalta Robson Capretz, coordenador de Ciência e Conservação da Fundação Grupo Boticário.

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