Nove tartarugas-de-couro aparecem mortas no litoral do Paraná em duas semanas

Morte das tartarugas gigantes, ameaçadas de extinção, preocupa biólogos; mudanças climáticas ou acidentes de pesca são as principais hipóteses

Duas tartarugas-de-couro (Dermochelys coriacea), a maior espécie de tartaruga marinha, foram encontradas mortas no litoral do Paraná nos últimos dias: uma na segunda-feira, 26/11, no Balneário de Nereidas, em Guaratuba, e outra no domingo, 25/11, na orla entre Matinhos e Pontal do Paraná.

Em menos de 20 dias, 9 carcaças de tartarugas-de-couro, que podem alcançar 2m de comprimento e 500kg e viver até 300 anos, apareceram nas praias da região. A mortalidade preocupa os biólogos, já que a tartaruga é a mais ameaçada de extinção no mundo: a cada 1.000 filhotes, apenas um, em média, chega à vida adulta. A espécie vive normalmente na zona oceânica, durante a maior parte da vida. A única área regular de desova conhecida no Brasil fica no litoral norte do Espírito Santo.

“Uma das hipóteses é de que esses animais se aproximaram das praias do Paraná por conta de águas mais quentes, influenciadas pelas correntes do Brasil que trouxeram uma série de águas-vivas muito próximo da costa”, explica a bióloga Camila Domit, do Centro de Estudos do Mar (CEM) da Universidade Federal do Paraná (UFPR). As águas-vivas, que aumentam de população mo verão, são o principal alimento dessa e de outras espécies de tartarugas.

Tartaruga-de-couro recolhida nesta segunda-feira da praia de Nereidas, em Guaratuba; uma retroescavadeira da prefeitura de auxiliou na remoção do animal | foto: colaboração/Jornal de Guaratuba

Outra hipótese é de que as tartarugas tenham se aproximado das áreas de pesca e foram capturadas acidentalmente pelos apetrechos. Duas delas tinham raspões na cabeça que poderiam indicar enrosco em redes. “Podem ser vítimas das pescarias de espinhel pelágico, que são com anzol, e de arrasto de parelha, usadas para pesca de camarão e peixe. Ambas industriais”, afirma a bióloga. Ela lembra que uma tartaruga de-couro que costumava depositar ovos em Pontal do Paraná foi encontrada morta em 2015, após ficar presa em uma rede de pesca. O animal construiu ninhos e desovou diversas vezes no local, por três anos seguidos. “É necessário pensar em maneiras de reduzir a ameaça às espécies marinhas sem causar prejuízo econômico e social aos pescadores”, conclui.

A tartaruga encontrada no domingo, em avançado estado de decomposição, teria mais de 20 anos de idade. De tão grande que era, foi necessária uma retroescavadeira para retirá-la da praia. Na quarta-feira passada, 21/11, outra tartaruga-de-couro, com 1,5m de comprimento, encontrada na praia de Coroados, em Guaratuba, também precisou ser retirada com retroescavadeira.

Tartaruga-de-couro encontrada em Guaratuba do dia 21/11 tinha 1,50 m de carcaça | foto: colaboração/Gazeta do Povo

Os corpos dos animais foram levados ao CEM-UFPR, que vai realizar necropsia e tentar descobrir a causa das mortes, inclusive investigando o sistema digestivo para averiguar se há plástico – muitas tartarugas morrem por confundirem plástico com águas vivas. “Há muitas hipóteses. Também pode ser por alta contaminação química, por algum tipo de doença ou outro fator que tenha retirado esses animais, juntos, do ecossistema”, explicou Camila.

Os biólogos entraram em contato com centros de preservação de tartarugas em Santa Catarina, estado vizinho, para que também fiquem atentos às condições da tartarugas de couro que frequentam o litoral de lá. Quem avistar outros mamíferos, tartarugas e aves marinhas encalhados no litoral do Paraná, deve avisar o PMP-BS/LEC Centro de Estudos do Mar, pelo telefone 0800-642-3341 ou 41 3511-8671.

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