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Noronha com Sea Paradise

Fotógrafa faz registro raro de tubarão-martelo em Fernando de Noronha: ‘foi a primeira vez e talvez seja a única’, diz
Melhor época para visitar Fernando de Noronha

Eu vendia peixes antes de virar o mergulhador”, disse ele, com a calmaria e serenidade de sempre. Morador da ilha de Fernando de Noronha, hoje ele é referência no mergulho técnico (modalidade de mergulho com algum tipo de teto que exige alta performance). Está na água todos os dias e realiza mergulhos de alta complexidade, onde utiliza rebreather com diversos stages (cilindro com gás extra) e bail out (cilindro emergencial).

Ele continuou com o olhar distante que parecia refletir as luzes amarelas retrô do Restaurante do Val, ao trazer de volta as lembranças levemente já descoloridas, mas nunca esquecidas. Parecia reviver as emoções do passado, dos mares e tempestades pelos quais passou até chegar aqui.

Em Recife, quando menino, caçava no mar à apneia e vendia peixes no mercado, e assim conseguia pagar a escola e o sustento da família. Quando ingressei no mercado de mergulho, parei de pescar por razões óbvias. “Minha experiência de ter vivido os dois lados, faz com que eu conviva bem também com os pescadores – de quem podemos obter muitas informações do mar e dos pontos”, concluiu ele abrindo um sorriso de menino.

Uma pequena pausa, para deliciar a cerveja que acabara de chegar na mesa num copo lotado de gotas de condensação escorrendo por fora. Não fazia muito calor, mas a umidade pesada e mordaz do ar de Noronha, era suficiente para combinar bem com a cerveja a 4 graus.

Continuou a dizer: “Adoro cerveja! Adoro apreciar diferente rótulos, aprender sobre a história de cada família que produz, de onde vem e como conseguiram desenvolver. Quando estive na Europa eram tantas marcas de cerveja…!

Trabalhei por quase duas décadas como coordenador de operação de mergulho aqui na ilha. Um dia, por um dos caminhos tortuosos que Deus escreve certo, tive a oportunidade de montar uma operação na praia.” *

No começo não acertávamos quase nada, sem clientes, sem a experiência de como operar o porto. Mas, não demorou muito para a empresa começar a dar fruto, e hoje tivemos a sorte de criar uma equipe boa, embarcação bem adequada e adaptada para todos os tipos de mergulho, ótima avaliação dos clientes (nota do Google 4,7), e diversos equipamentos para oferecer experiências únicas para quem nos procura. Acredito que os clientes gostam e voltam, porque conosco ele pode desfrutar como um mergulho deveria ser.

Uma pausa.

Uma palavra dele se destacou na frase… sorte.

O que ele chamou de “sorte”, na verdade, guarda umas estórias de superação.

Cheguei à Noronha por convite de trabalho (ser coordenador de operações de mergulho) em 1999. Depois de 6 anos, achei que Noronha apesar da beleza dentro e fora d’água, não me empolgava mais! Estava decidido a ir morar na Australia … até que um dia … um empresário da ilha me procurou, dizendo que estava vendendo um barco de pesca. Era um belo barco! No momento, eu agradeci a oferta e falei para o empresário que o recuso que nós, eu e minha esposa possuíamos, estava reservado para a viagem que faríamos em pouco tempo. Ele, com uma voz mais séria falou: “Você não está entendendo, você será o dono desse barco!”. Despois desse momento, resolvemos permanecer em Noronha e compramos o barco de pesca. Aprendi muto sobre o mar de Noronha depois de ter adquirido a embarcação. Foram muitas noites de pesca, muitas conversas com os pescadores. Até que um dia, após uma grande swell, nossa embarcação desapareceu. Foi um momento triste, pois era um dos poucos patrimônios que possuíamos. Por outro lado, e depois de alguns anos, tenho a nítida certeza que Deus sabe o que faz sempre! Eu acredito que se a nossa embarcação não desaparecesse naquele swell em 2006 ou 2007, hoje eu seria um pescador em Fernando de Noronha. Eu já estava muito desgastado com o mercado de mergulho e o jeito que os operadores desenvolviam as suas atividades na ilha.  

Parecia fim. Sentimento era de um fim, sem luz. Muitos diziam que podia ser o fim. Mas, em vez de se lamentar e desistir, ele sentiu um calor dentro dele renascer, dava nele uma vontade de reerguer, encarar os fatos e levantou a cabeça. Logo, recompôs-se e foi ao encontro de uma solução, não podia parar. Assim, candidatou-se numa operadora de mergulho, onde ficou por uma década.

Segunda prova de vida aconteceu no início de 2011. A rua atrás do único aeroporto de Fernando de Noronha, onde ele e a família moravam, tinha uma condição simples. Ainda sem asfalto, quando a chuva intensa chegava na ilha, era comum pequenos deslizamentos de cascalhos na rua. Ele viajara dois dias antes, quando uma forte chuva começou na ilha. “Dilúvio!”, disseram. Estavam apenas a esposa e a filha na casa quando a defesa civil bateu na porta, pedindo para que deixassem a casa imediatamente por risco de deslizamentos. Atônitas, o único sentimento foi de medo. Como deixar tudo para trás e ir embora, assim, simplesmente assim, abandonar tudo? Logo em seguida foi tomado por desespero. Sem reação, paradas na porta, levou alguns minutos para entender que teriam que agir imediatamente; parecia que um barco acabara de atingi-las sem nenhum aviso. Às pressas, elas guardaram o que cabia em uma mala de mão e saíram correndo deixando a casa pra trás. No rosto da esposa escorriam gotas de chuva, que não podia saber se eram de lágrimas.

O mau pressentimento se concretizou e a casa veio abaixo. Simplesmente, em um picar de olhos, a família perdera tudo.

Quando ele voltou da viagem, mais uma vez teve que recomeçar. Essa vez era diferente, já tinha construído uma família, o peso era maior. Como da primeira vez, não deu uma fresta de chance para lamentos. Imediatamente, ergueu a cabeça e foi reconquistando tudo, um a um.

Sorte.

O que ele chamara de sorte, na verdade, tem outro nome: Superação.

O nome dele é Fernando.

Fernando Rodrigues da Silva, conhecido com Cabeça.

Ele é dono da Sea Paradise, operadora de mergulho que mais cresce na ilha e é uma figura conhecida e respeitada por todos.

Para ter uma ideia do conhecimento dele, os staffs de outras operadoras quando querem um ponto “diferente” de mergulho, procuram o Fernando para dicas dos pontos e das condições.

Hoje, a Sea Paradise já conquistou seu espaço na ilha. Com a sua embarcação, Desbravador, a Sea Paradise oferece experiência de mergulho diferenciada; tudo começa no portinho, uma adaptação ao mar de Noronha dependendo do grau e experiência do mergulhador. Com a segunda etapa, realiza-se mergulhos longos com um stage nos pontos mais fundos e que também serve como preparativo para a cereja do bolo: Corveta Ipiranga V17.

Mergulho na Corveta (Foto: SeaParadiseFN)

Segundo as más línguas, o comandante do Corveta foi um visionário sem precedente. Ele sabia que a Ilha de Fernando de Noronha era um lugar perfeito, porém sentia que ainda faltava algo, aquele toque final, e que precisaria da cereja do bolo. Assim, surgiu (ou afundou) a Corveta V17 – o clímax do mergulho na ilha, objeto de desejo de muitos mergulhadores. Desafio para muitos, amado por todos, motivo de diferentes formas de narcose, belo, silencioso ser vivo que jaz no fundo do mar de Noronha.

O fundo da Corveta chega a 60 metros. É preciso Trimix** para evitar narcose. É um mergulho descompressivo. Significa que é obrigatório paradas para descompressão de nitrogênio, antes de retornar à superfície.

É um mergulho possível a ser feito a partir da certificação de Mergulho Avançado (NITROX), o mínimo de 60 mergulhos logados. Mas uma avaliação prévia é feita pela equipe da Sea Paradise.

Sea Paradise oferece a programação completa – desde adaptação no porto até o Corveta. Clique aqui para mais informações sobre a Sea Paradise.

Tratorzinho ou ‘formiguinha atômica’ é o mascote da equipe @seaparadisefn. Todos os dias ele auxilia a equipe montando e desmontando a operação de mergulho. (Foto: SeaParadiseFN)

Disca e informações sobre viagem para Fernando de Noronha.

Quando ir

Mergulho acontece o ano todo

Novembro a Março normalmente o mar de fora é mais calmo, possibilitando mergulhos nos pontos, como Pedras Secas e Luias.

Operadoras de mergulho

  • Sea Paradise (Selo Divemag)***
  • Águas Claras
  • Noronha Divers
  • Atlantes

Principais pontos de mergulho

  • Corveta Ipiranga V17
  • Portinho
  • Laje Dois Irmãos
  • Macaxeira
  • Cabeço das Cordas
  • Pedras Secas
  • Luias
  • Ressurreita
  • Cabeço da Sapata
  • Caverna da Sapata

O que espera nos mergulhos

  • Barracuda
  • Golfinhos
  • Tubarão bico fino
  • Raias
  • Moreia
  • Peixe leão
  • Atum
  • Cavala
  • Diversos cardumes

Condições de mergulho:

Correnteza pode acontecer dependendo do dia e local

Temperatura da água é aproximadamente 26 graus

Esteja sempre preparado para ondulações do mar, leve sempre um Dramin.

Curiosidades:

Peixe leão é um intruso na Noronha. Tire foto e envie para instituto de pesquisa.

Há relatos de terem avistado 4 tubarões tigre ao mesmo tempo. Sim, eles estão aí.

Durante a pandemia avistaram Tubarão Baleia e Tubarão Martelo.

Fique atento:

Leve dinheiro em espécie, muitos lugares não aceitam cartão (dificuldade de conexão).

Uma cena no mínimo cômica, é comum acontecer em função da falta de dinheiro em espécie, onde o cliente envia Pix de valor alto para taxista “devolver” o excedente para “salvar” os clientes dos maus lençóis.

Evite alugar motos ou bugies em época de chuva

Evite filas na chegada – faça passe verde

Regras de Covid estão em constantes modificações, acesse os sites do governo.

Alguns turistas podem ser escolhidos para realizar o teste de Covid durante a estada na ilha.

Divemag recomenda:

Mergulhe com a Sea Paradise. Comece no Portinho, aprimore no Laje Dois Irmãos (peça um mergulho extenso de 1 hora e meia de fundo) e finalize com a Corveta (55 metros de profundidade).

Conte com a taxista Gleidi Taxi (cada 5 corridas de táxi, a 6º é grátis).

Hospede-se na Sea Paradise,

Tome sorvete de palito caseiro na praia, sabor de Morango com leite condensado, é o nosso favorito.

Visite restaurantes Xica da Silva, do Val, Bistrô de Cacimba e El Loco. E coma nas barracas do portinho.


* Mergulho de praia é realizado no Portinho. É um ponto completo e propício para iniciantes e intermediários. Além da profundidade rasa e mar calmo, é possível avistar vasta vida marinha como moreia, tartaruga, cardumes de diversos peixes, polvo, caranguejo. Este ponto está entre o Top 10 da Ilha de Fernando de Noronha.

** Trimix é um tipo de gás onde diminui a quantidade de O2 e N2 e preenche com He. Com a diminuição de O2 e N2, o efeito narcótico diminui.

*** Selo Divemag é a garantia de que equipe Divemag esteve pessoalmente e que verificou a qualidade do serviço

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