Meu novo
Mundo

Meu novo Mundo

Dezembro de 1997 foi meu primeiro contato com o mundo do mergulho, estava passando o final de ano no Hotel Transamérica na Ilha de Comandatuba, entre uma birita e outra vi uns malucos mergulhando de cilindro na piscina, aquilo me chamou a atenção.

Fiquei curioso para fazer aquilo.

No mesmo dia mais tarde fui buscar informações e no dia seguinte estava eu na piscina com toda aquela parafernália. Logo que cheguei no fundo da piscina, que devia ter 1.5 m, já soube que era amor à primeira vista.

Acredito que os mergulhadores que estão lendo vão se identificar comigo a primeira vez que respiramos debaixo da água é uma sensação muito louca, coloquei a cara para fora da água olhei para minha esposa e falei “PQP que coisa louca, vamos fazer esse curso!”.

No mesmo dia começamos a teoria onde duraria 2 dias, no terceiro dia fomos fazer nosso batismo no mar, correto??? Errado, era no mangue, isso mesmo no mangue.

Procurem no Google Maps essa ilha e vão entender. Vou colocar uma foto para vocês entenderem o nível.

Começamos bem, embarcamos em uma escuna, o pessoal que mergulha a mais tempo sabe que operação em escuna é foda, mas não sabíamos disso na época, e lá estávamos embarcados numa escuna e prontos para fazer o batismo em um mangue.

Naquela altura com minha vasta experiência no mergulho olhei para água e arrisquei um palpite de que teríamos pelo menos 3 metros de visibilidade na água. Foi só entrar na água para ter certeza de que tinha errado feio. Eram 15 cm de visibilidade, no máximo.

O instrutor me chamou e falou “me dá o seu braço para descermos” ali pensei, “será que quero isso mesmo?” 

Mas, como em 1 mês estaríamos em Cancun, liguei o foda-se e fui, eu de braço dado com o instrutor do lado esquerdo e minha esposa do lado direto, senti que havia chegado no fundo quando bati em algo, olhei para o lado e só vi o instrutor e não achava minha esposa. Pensei que ela havia desistido.

Mas, quando cheguei mais perto do instrutor vi que tinha algo do lado dele, olhando mais de perto vi que era minha esposa e ali tive certeza de que seria algo para a vida inteira.

Complementando nossas viagens, no final tudo deu certo e saímos certificados pela PADI. Naquela época era uma certificação de papel.

Agora somos mergulhadores e um mergulho pior que esse nunca vai acontecer ainda mais em Cancun, é impossível. Nunca diga nunca!!!

Um mês depois chegamos em Cancun com nossas certificações de papel e na dúvida se alguém aceitaria aquilo, entramos no primeiro Dive Center que encontramos.

Lá conversamos com uma pessoa que não sei até hoje se era um instrutor, Dive Master ou atendente, enfim, mostramos nossas certificações e antes que eu dissesse qualquer coisa ele falou que poderíamos fazer o noturno naquele dia.

Mostrei novamente a certificação e falei que não poderíamos porque éramos básicos ainda e seria o nosso primeiro mergulho depois do batismo. Mesmo assim ele insistiu e disse que não tinha problema, olhei para minha esposa e falei “pior que nosso batismo nunca será!”.

Topamos e embarcamos para o nosso primeiro mergulho – depois do batismo um noturno para ser mais tranquilo. Chegamos no ponto de mergulho, esperamos o instrutor entrar na água, quando ele virou a lanterna para o fundo víamos tudo, que água era aquela!

Parecia uma piscina e aí relaxamos.

A única instrução de como usar a lanterna foi “não desliguem ok?”.

Aí entramos na água e começamos a mergulhar, era tudo fascinante muitos peixes muitas cores, durou uns 15 minutos no meu caso, por um vazamento, pelo meu consumo alto e pelo nervosismo, olhei para o instrutor mostrei o meu ar e ele me mandou subir sozinho, e fui, cheguei na superfície e não achava o barco continuei procurando e vi ele muito distante.

Lembra da instrução que recebemos da lanterna, então não sabia como agir, naquele momento estava me sentindo um náufrago, a primeira coisa que passa na sua cabeça “vou morrer”.

É nesse momento que o ateu pede a Deus, o cristão reza para todos os Deuses, mas a primeira coisa que pensei foi o “Mangue” não pelo mergulho, mas por saber que o barco estava ali, e nesse meio tempo olhei para baixo e vi as lanternas ai fiquei mais calmo fui seguindo eles pela superfície, mas a nossa mente é uma merda, e ela te lembra de todas as merdas que podem acontecer.

Depois de 20 minutos tensos, sozinho na superfície, o instrutor e minha esposa sobem e foi um alívio, ele me olhou e falou “porque você não chamou o barco, era só mirar a lanterna que ele vem?”. Lembra da instrução da lanterna, nunca mais esqueci essa lição, assim como nunca mais esqueci esse dia.

Depois dessa saga e continuar mergulhando por mais de 20 anos posso dizer que amo e sempre vou amar esse meu novo mundo.

Há 20 anos atrás estávamos na certificação de papel, hoje certificamos online com o celular no barco se quisermos, a certificação digital vai direto para o e-mail do aluno, como evoluiu e isso é só a ponta do iceberg, muita coisa mudou, está mudando e vai mudar muito mais.

Guilherme Gouveia

Empreendedor e experiente no mergulho
Mergulha desde 1997, passou pelas certificadoras PADI, PDIC, IANTD, SDI e TDI.
Atualmente é instrutor da TDI SDI.

Dono do aplicativo Godive app (http://www.godiveapp.com)
Apple    https://apple.co/2NUjDY0
Android http://bit.ly/2Np87H5

1 comentário

  1. Esse cara é muito foda… tecnicamente, é fora da curva, conhece muito e é um excelente instrutor. Como pessoa, não há um figura melhor. Valeu pelos mergulhos, Gui… que venham muito mais!!!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.