Mergulho a 1.000 metros na Antártica revela fundo cheio de vida

Mergulho a 1.000 metros na Antártica revela fundo cheio de vida

Biodiversidade nas profundezas do Antártico é maior do que nos recifes da Grande Barreira de Coral australiana; veja vídeo

Por: Marcella Duarte | Divemag.com

Pela primeira vez na história, chegou-se ao fundo do oceano Antártico. A equipe do documentário “Our Blue Planet”, liderada pelo explorador britânico Jon Copley, divulgou imagens inéditas de suas descobertas a 1.000 metros de profundidade. Apesar de gélidas, as águas ao redor da Antártica são cheias de vida – incluindo criaturas exóticas, algumas até um pouco assustadoras, em um ecossistema que remete aos primórdios dos oceanos e à evolução das espécies.

A expedição, que levou dois anos para ser preparada, foi realizada a bordo do navio de pesquisa Alucia. Os mergulhos aconteceram em um canal profundo na ponta norte da Península Antártica, chamado de “Iceberg Alley” (Beco de Iceberg). Entre os desafios, desviar de blocos de gelo com tamanho variando do de um carro ao do Parque do Ibirapuera. Inicialmente, exploraram o local por meio de veículos operados remotamente (ROVs); depois, 5 pesquisadores desceram aos 1.000 metros de profundidade, em 2 mini submarinos tripulados (DSVs).

Mark Taylor, um dos líderes de equipe subaquática, ficou espantado com a biodiversidade lá embaixo. “Fomos primeiros a descer até o fundo do oceano Antártico mas, para ser honesto, nenhum de nós estava esperando muito. Ficamos completamente impressionados com a quantidade de vida que encontramos. Dentro de um metro quadrado há mais vida nas profundezas da Antártida do que nos recifes da Grande Barreira de Coral australiana.”

imagem: Alucia Productions powered by Ocean X

Apesar da superfície congelada e quase estéril, as águas profundas ao redor da Antártida são extraordinariamente férteis. Um dos motivos é chamada “neve marinha” – matéria orgânica que desce com as águas mais altas, caindo silenciosamente como neve. Pele morta de animais, escamas de peixe e cocô de baleia, só para enumerar alguns dos componentes. Essa corrente, aliada à iluminação solar por quase 24 horas ao dia, causa a proliferação de pequenas criaturas, plâncton e krill, que são de enorme importância para toda a cadeia alimentar.

O fundo do oceano Antártico é de lama macia e rica em nutrientes, um verdadeiro carpete dominado por invertebrados, incluindo esponjas-barril de mais de 2 metros, aranhas-do-mar com pernas de 40 centímetros e polvos ancestrais, além de algumas espécies de peixes adaptadas para a vida no frio polar. Há uma criatura que foi apelidada de “a estrela da morte” pelos exploradores (Labidiaster annulatus). É basicamente uma enorme estrela-do-mar com até 50 braços que, como anzóis, pegam pequenos peixes que são comidos lentamente. E, como não possui predadores naturais lá embaixo, ela cresce muito.

imagem: Alucia Productions powered by Ocean X

“Esta expedição foi como voltar 350 milhões de anos na evolução do planeta. As águas ao redor da Antártica são muito geladas, profundas e com alta concentração de oxigênio. Mas há poucos peixes que conseguem lidar com temperaturas abaixo de 0ºC. Então os invertebrados se diversificaram para dominar as profundezas como predadores, assim como fizeram nos primórdios dos oceanos”, disse Jon Copley.

O vídeo faz parte da série de documentários “Our Blue Planet”, parceria entre a Alucia Productions e a BBC Earth. Com tecnologia de ponta e diversos submarinos, a equipe têm explorado cantos remotos e ainda desconhecidos dos oceanos, revelando descobertas científicas e imagens incríveis. O projeto também é uma grande reflexão sobre o nosso impacto nos ecossistemas marinhos.

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