Mergulhadores avistam baleia franca com filhote durante saída para a Laje de Santos; veja vídeos

Mãe conseguiu se livrar da rede de pesca que estava presa em sua cabeça; as duas também foram vistas em Ilhabela e Mongaguá e agora devem rumar para o sul do país

Duas baleias da espécie franca-austral (Eubalaena australis) foram avistadas por pesquisadores e mergulhadores na região da Baía de Santos, no litoral sul de São Paulo, na manhã do último domingo, 29/7. Pouco depois de terem saído da marina, rumo à Laje de Santos, a embarcação Pé de Pato cruzou com uma fêmea adulta e seu filhote, a 3 milhas náuticas da costeira da praia de Itaquitanduva, em São Vicente. As baleias foram batizadas de Maria (mãe) e Hope (filhote), e seriam as mesmas vistas em Ilhabela, na semana passada, e em Mongaguá, anteontem.

Maria e Hope em São Vicente (29/7) | foto destacada e vídeo com drone: Virgílio Kbça

Maria e Hope em São Vicente (29/7) | vídeo: Walmyr Buzatto

“Este encontro foi uma dádiva! Poder acompanhar a interação da mãe com o filhote foi emocionante. Uma sensação fantástica, incrível, um sentimento de realização. Cada vez que tenho um encontro desses, é maravilhoso, fico até sem palavras para descrever. Vale muito a pena trabalhar no mar”, lembrou o biólogo marinho e instrutor de mergulho Eric Comin. “Logo chamamos a [embarcação de mergulho] Órion pelo rádio, para que eles também pudessem presenciar o espetáculo”.

Nesta época do ano, é comum que baleias jubarte apareçam no litoral paulista, que é rota da migração anual delas até Abrolhos. Já as baleias francas vivem no sul do continente e, durante a temporada de reprodução, costumam ficar apenas em Santa Catarina. “Eu não via uma baleia franca há quase três anos. É uma espécie que não é tão comum por aqui quanto a jubarte, mas ela aparece”, disse Eric, que é pesquisador do Instituto Laje Viva e do projeto Mantas do Brasil.

Baleia foi vista por mergulhadores na Baía de Santos, SP (Foto: Eric J. Comin/Arquivo Pessoal)
Baleia foi vista por mergulhadores na Baía de Santos, SP, em 29/7 (Foto: Eric Comin)
Mergulhadores ficaram emocionados com o encontro (Foto: Guilherme Kodja/Megafauna Marinha do Brasil)
Espécie foi identificada pela nadadeira caudal (Foto: Guilherme Kodja)

O pesquisador Guilherme Kodja, do Megafauna Marinha do Brasil, também estava no barco e registrou o encontro no aplicativo do projeto. “Eu nunca tinha visto uma baleia franca. Eu costumo ir na proa do barco e, quando as avistamos, tive a oportunidade de registrá-las. Nós nos aproximamos na distância regular, respeitando as normas de avistamento, e fizemos a identificação. Reparamos na nadadeira peitoral, na cabeça e nadadeira caudal. A fêmea adulta tinha entre 10 e 12 metros de comprimento.”

A partir dessas informações, fotos, vídeos, pesquisadores do Baleia à Vista e do Baleia Franca conseguiram identificar os animais avistados em São Paulo: as baleias de São Vicente seriam as mesmas vistas em Ilhabela, no dia 23/7, por Júlio Cardoso do projeto Baleia à Vista, e em Mongaguá, no dia 30/7, pelos pescadores Juliano e Dentinho. Segundo Juliano, eles ajudaram a evitar que o filhote Hope encalhasse na praia.

Maria em Mongaguá (30/7) | vídeo: Juliano Almeida

Na semana passada, em Ilhabela, Maria infelizmente estava com a cabeça presa a uma rede de emalhe. “Que bom que ela conseguiu se soltar em algum momento. Uma das nossas maiores preocupações são as redes de pesca espalhadas pelo nosso litoral, que podem enroscar, machucar e até matar baleias, tartarugas, raias e todo tipo de animal marinho”, disse Eric.

As baleias da espécie franca conseguem ser distinguidas pelas calosidades em suas cabeças. São calos mesmo, uma pele mais grossa, e em cada uma as manchas são diferentes – por isso, são são como impressões digitais. “O ângulo das fotos lateral, tiradas de barco onde somente o lado esquerdo da baleia é visível, dificulta a confirmação com 100% de certeza, mas vários aspectos que indicam que tratar-se da mesma baleia, agora sem a rede”, declarou a pesquisadora Karina Groch, do Instituto Australis/Projeto Baleia Franca.

Analisando as manchas e calosidades na cabeça e costas de Maria, pesquisadores concluíram tratarem-se das mesmas baleias; em São Vicente (acima) e em Ilhabela (abaixo, ainda presa à rede de pesca)
Carta náutica com a rota das baleias por SP: o ponto zero é onde foram vistas pela primeira vez, na manhã de 23/07; o ponto 1 é quando devem ter entrado na Baía de Santos; o ponto 2 onde foram avistadas em São Vicente; o ponto 3 em Mongaguá | imagem: Julio Cardoso

Vida longa a Maria e Hope! Esperamos vê-las novamente em sua jornada ao Sul.

Maria e Hope em São Vicente (29/7) | vídeo: Marcus Nogueira

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