Islândia cria o primeiro santuário em mar aberto para belugas

A Islândia vai ter o primeiro santuário do mundo para belugas, também conhecidas como baleias-brancas. Com 32 mil metros quadrados e uma profundidade de até 10 metros, o santuário vai ser a casa de duas belugas de 12 anos e traz esperança aos mais de 3000 cetáceos mantidos em cativeiro no mundo, à medida que a popularidade dos espetáculos com estes animais diminui.

Local escolhido para o santuário

As belugas que serão transferidas no próximo ano, Little White e Little Grey, estão atualmente num parque aquático em Xangai, o Changfeng Ocean World, onde realizam truques para entreter os visitantes. Ambas são originalmente das águas do Ártico russo, crendo-se que teriam dois ou três anos quando foram capturadas.

Elas sairão do Changfeng Ocean World, em Xangai, para tornarem-se as primeiras residentes do Sea Life Trust Santuário de Baleias Beluga no início de 2019.

“Elas estão no aquário desde 2011”, disse Andy Bool, diretor da Sea Life Trust, uma organização que passou seis anos a desenvolver este projeto. “Ainda são relativamente novas. As belugas podem viver 40 ou 50 anos na natureza. Por isso, o objetivo do santuário é fornecer-lhes um lar para o resto das suas vidas.”

“Esperamos que, ao apontarmos o caminho com o nosso santuário, ajudemos a encorajar a reabilitação em ambientes naturais de mais baleias em cativeiro e a pôr termo aos espetáculos com baleias e golfinhos”, afirmou.

No santuário, as duas belugas continuarão sob cuidado humano, uma vez que se acredita que não sobreviveriam por conta própria na natureza.

Little White e Little Grey (“Branquinha” e “Cinzentinha”, em português) viajarão 9000 km, durante mais de 30 horas, para chegarem à Baía de Klettsvik, a localização do santuário, também conhecida por ter sido o local para onde Keiko, a orca do filme “Libertem Willy”, foi levada para ser treinada antes de ser libertada.

“Transportá-las é um processo difícil e pode ser bastante stressante para elas”, explicou Cathy Williamson, da organização Whale and Dolphin Conservation. “Infelizmente, a alternativa é deixá-las na sua piscina de cimento em Xangai e isso também não é bom para a sua saúde ou bem-estar.”

Entretanto, as belugas estão a ser treinadas para que consigam suster a respiração durante mais tempo e para que se tornem mais fortes de forma a aguentarem as marés e as correntes. Estão também a ganhar gordura para que consigam lidar com as temperaturas mais baixas da água do santuário. Espera-se que se possam juntar a elas, no futuro, até oito outras belugas.

“Agora existe mesmo uma alternativa para estes animais”, disse Andy Bool. “No passado, era apresentado o argumento de que não se pode simplesmente voltar a libertá-las no mar – e isso está certo. Mas espero que as pessoas vejam o que estamos a fazer e que queiram reproduzi-lo.”

“O primeiro santuário do mundo para baleias aponta o caminho rumo ao fim do cativeiro das baleias e dos golfinhos”, disse Cathy Williamson.

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