Empresas promovem Mergulhos de turismo no Titanic

Imagine poder mergulhar em um pedaço da história e ter a sensação de ser um verdadeiro explorador das profundezas, pois é isso que duas empresas propõe aos seus futuros clientes a partir já desse ano.

Perspectiva artística do mergulho no Titanic

Duas empresas se preparam para levar turistas até o naufrágio mais famoso da história em 2019, o Titanic, imortalizado em filmes e livros, é considerado o naufrágio mais famoso dos tempos modernos.

Uma das empresas a propor isso é a Ocean Gate, companhia americana especializada em exploração de águas profundas, que desenvolveu um submarino exclusivamente para esse fim. A expedição, feita em parceria com a a operadora de luxo britânica Blue Marble Private, já tem seis saídas programadas, entre 26 de junho e 12 de agosto de 2019.

Desenho mostra como os passageiros se acomodarão dentro do submarino desenvolvido pela Ocean Gate Foto: Ocean Gate / Reprodução

Cada uma delas irá durar 11 dias, incluindo a chegada a St. John, na província de Terra Nova, no Canadá, que serve de base para a exploração. De lá, os participantes serão transportados de helicóptero para um navio que estará nos arredores do naufrágio e onde ficarão a maior parte do tempo, recebendo treinamentos de sobrevivência e participando de atividades com o corpo de cientistas que integram a missão.

Haverá apenas um único mergulho na programação, e ele acontecerá assim que se reunirem as melhores condições climáticas. Serão 90 minutos para descer até os restos do transatlântico, a cerca de 3.800 metros de profundidade, e outros 90 para voltar à superfície, restando seis horas para explorar o naufrágio.

O submarino comporta cinco pessoas: o piloto, um membro da tripulação e três passageiros. Não há banheiro a bordo, aliás, nem bancos. Vão todos sentados no chão, e não é permitido levar quase nada a bordo.

A aventura está sendo comercializada a US$ 105.129 por pessoa, valor, segundo a empresa, equivalente ao bilhete de primeira classe na viagem inaugural do próprio Titanic, em 1912. E, ainda assim, restam apenas poucas vagas (as inscrições podem ser feitas no site da Ocean Gate ).

Quem quiser uma opção “mais em conta” pode se inscrever no pacote da The Bluefish, que cobra US$ 59.680 por cada participante interessado em integrar suas expedições até o Titanic, também saindo de St. John, no Canadá. O programa é bem parecido com o da concorrente, mas dura 13 dias em vez de 11, já que o translado para o local do naufrágio será feito de barco, e não de helicóptero.

Submarino MIR, de fabricação russa, que será usado na expedição da The Bluefish ao Titanic

Outra diferença significativa é o submarino usado na missão, o modelo russo MIR, referência para esse tipo de exploração, com capacidade de submergir até 6.000 metros de profundidade. Ele leva o piloto e mais dois passageiros. Considerando que cada expedição terá até 20 turistas, serão necessários dez mergulhos.


E será um mergulho por dia, já que a expectativa é que cada um deles dure entre 11 e 12 horas. A empresa promete uma exploração detalhada do naufrágio: das âncoras, maiores que o próprio submarino, à sala de controle, dos motores à grande escadaria central; das cadeiras do salão de jantar à Sala Marconi, de onde o capitão mandou a mensagem de S.O.S.

Detalhe do submarino MIR, Foto: Wikimedia Commons / Reprodução

Ainda não há datas fechadas para a missão, mas a companhia espera colocar o roteiro em prática em algum momento entre 2019 e 2020. As inscrições já podem ser feitas no site .

O naufrágio:

Como está o naufrágio hoje

naufrágio do RMS Titanic ocorreu entre a noite de 14 de abril até à manhã de 15 de abril de 1912 no Atlântico Norte, quatro dias após o início da viagem inaugural do navio que partiu de Southampton com destino à cidade de Nova Iorque. O maior navio de passageiros em serviço à época, o Titanic tinha estimadas 2.224 pessoas a bordo quando atingiu um iceberg por volta de 23:40 (horário no navio)[nota 1] no domingo, 14 de abril de 1912. O afundamento aconteceu duas horas e quarenta minutos depois, às 02:20 (05:18 GMT) na segunda-feira, 15 de abril, resultando na morte de mais de 1.500 pessoas, transformando-o em um dos desastres marítimos mais mortais.

Ilustração de época retratando o momento do naufrágio do Titanic

Titanic recebeu seis avisos de mar com gelo em 14 de abril, mas estava perto da velocidade máxima quando seus vigias avistaram o iceberg. Incapaz de virar rápido o bastante, o navio sofreu um golpe a estibordo(lado direito) que abriu cinco de seus dezesseis compartimentos. O Titanic foi desenhado para flutuar com quatro de seus compartimentos estanques dianteiros inundados, mas não mais, e a tripulação logo percebeu que o navio iria afundar. Eles usaram sinalizadores e mensagens de radiotelegrafia para buscar ajuda, enquanto os passageiros eram colocados dentro dos botes salva-vidas. De acordo com a prática existente, o sistema de botes salva-vidas do Titanic foi pensado para transportar passageiros para embarcações de resgate próximas, e não para ter todos a bordo de um bote simultaneamente; portanto, com o navio afundando rapidamente e a ajuda ainda muito distante, não havia refúgio seguro para muitos dos passageiros e tripulantes. Com isso, e com a má gestão na evacuação, o resultado foi que muitos barcos foram lançados antes de serem completamente cheios.

Assim, quando o Titanic afundou, mais de mil passageiros e tripulação ainda estavam a bordo. Quase todos aqueles que pularam ou caíram na água, ou afundaram ou morreram em minutos devido aos efeitos da hipotermia. O navio de passageiros britânico Carpathia registrou os pedidos de socorro do Titanic, quando navegava a quase 100 km de distância. Desviou sua rota e chegou ao local por volta de uma hora e meia depois do naufrágio, resgatando os últimos sobreviventes por volta das 9:15 de 15 de abril, quase nove horas e meia após a colisão. O desastre causou indignação generalizada pela falta de botes salva-vidas, regulamentos negligentes e o tratamento desigual das três classes de passageiros durante a evacuação. Os inquéritos subsequentes recomendaram alterações radicais nos regulamentos marítimos, levando ao estabelecimento em 1914 da Convenção Internacional para a Salvaguarda da Vida Humana no Mar (SOLAS em inglês), que ainda hoje regulamenta a segurança marítima.

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