100 anos depois, este barco está voltando ao porto de onde partiu…

O fim de semana de 18 e 19 de agosto foi de festa, muita festa, na pequena Vollen, a pouco mais de 30 quilômetros de Oslo, capital da Noruega. Os estoques de cerveja na região até aumentaram e um grande palco foi montado, para apresentações de bandas. Motivo (ou “pretexto” para tamanha folia) é a volta para casa de um velho barco de madeira, construído ali mesmo, exatos 100 anos atrás – e que passou 85 deles debaixo d´água, do outro lado do Atlântico.

A volta para casa do Maud, o lendário barco com o qual o explorador norueguês Roald Amundsen tentou – e não conseguiu – chegar ao Polo Norte, no início do século passado, é o assunto do momento na Noruega.

Desde que aquele grande e histórico casco de carvalho, construído em Vollen, no início do século passado, chegou às águas norueguesas, uma semana atrás, não se fala em outra coisa no país dos fiordes, e que sabe como poucos preservar o seu passado de grandes navegadores. O Maud era o último dos sete barcos históricos da Noruega que ainda não havia sido resgatado. E isso é mais que um bom motivo para uma grande festa. Não é todo dia que um barco que partiu 100 anos atrás retorna.

O Maud, assim batizado em homenagem a então Rainha da Noruega, partiu da Noruega em meados de 1918, sob o comando do lendário explorador Roald Amundsen, que, sete anos antes, havia se tornado o primeiro homem a pisar no Polo Sul. O objetivo dele era atingir o Polo Norte, tornando-se assim o primeiro homem a pisar nos dois polos do planeta.

Para isso, Amundsen preparou o barco para ficar preso no gelo durante seguidos invernos, até que ele fosse sendo empurrado para perto do Polo. Não deu certo e, após um par de anos, o explorador desistiu da expedição, vendeu o barco a uma empresa canadense e voltou à Noruega, disposto a tentar chegar ao Polo Norte de outra forma: voando – o que conseguiu, em 1926, a bordo de um balão dirigível.

Dois anos depois, no entanto, o explorador desapareceu, no próprio Ártico, durante uma missão área de busca por um aviador italiano, que também jamais foi encontrado. Já o barco de Amundsen teve um destino bem mais conhecido, embora por várias vezes tenha sido dado como definitivamente perdido.

Depois de ser descartado pela empresa que o comprou porque não se adequava a navegação no estreito de Behring, que une o Ártico ao Pacífico, passou a ser usado como estação flutuante de rádio na baía de Cambridge, no Canadá, até que, com o tempo, começou a fazer água e afundou ali mesmo.

Durante 85 anos, o Maud ficou submerso, a sete metros de profundidade, até que, em 2011, uma campanha na Noruega decidiu resgatá-lo.

A operação levou cinco anos, até que, em 2016, o velho barco de Amundsen voltou à superfície e em surpreendente bom estado, já que o seu casco, bem sólido, havia sido construído para suportar a pressão do gelo no Ártico.

Em seguida, começaram os preparativos para transportar o barco inteiro, de 36 metros de comprimento, pelo Atlântico, até Noruega, onde ele chegou na semana passada. E flutuando, graças a duas discretas balsas colocadas em cada lado do casco.

Foi um acontecimento histórico. Como se a caravela original de Cabral retornasse a Porto Seguro. Agora, no trechinho final da longa volta para o local onde foi construído, o Maud está sendo rebocado até a orgulhosa Vollen, onde chegará neste sábado, em meio a muita festa.

Ali, o histórico barco ganhará um museu próprio e ficará em exposição permanente, tal qual os vizinhos suecos fizeram com o seu mais famoso barco, o Vasa, considerado o naufrágio histórico mais bem preservado do mundo, que virou uma das principais atrações turísticas da Suécia – embora, ao contrário do heróico Maud, sua história seja um completo vexame.

Fotos: Maud Returns Home Project/Divulgação

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